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Inexorável Solidão que acomete as almas
A meio caminho entre de onde e para onde
Cá onde o homem se engana e esconde
Buscando refúgio sempre em águas calmas
Mas, ai! Sempre lhe alcança tormenta
Testando-lhe cada tábua da barcaça
E inda que aos olhos venha a ser carcaça
Oculto no peito sopro há que o alenta.
Esperneia chorando como veio ao mundo
Quando o momento de deixá-lo se apresenta
A não ser que — por um breve segundo –
Tenha visto, através da tormenta,
E Desde o Silente mar profundo
A suave mão que lhe sustenta!
Se alguém lhe perguntar como se desvela
a mais perfeita sensação do gozo,
eleve os olhos e diga
Assim.
E quando alguém mencionar
a graça do céu noturno,
suba no telhado, dance, e diga
Assim?
Se alguém quiser saber o que é
o espírito, ou a essência de Deus,
incline a fronte em sua direção,
mantenha o rosto colado
assim.
E quando alguém evocar a velha poesia
das nuvens que, aos poucos, encobrem a lua,
afrouxe pouco a pouco os nós da tunica.
Assim?
Se alguém quiser saber como Jesus
levantou os mortos das tumbas,
não tente explicar o milagre.
Beije seus lábios.
Assim. Assim.
E quando alguém perguntar
o que é morrer por amor,
faça um sinal
aqui.
Se alguém quiser saber quão alto é,
hesite, e meça com seus dedos
os espaços entre as rugas da sua testa.
Deste tamanho.
A alma às vezes larga o corpo,
e então retorna. Se alguém não acreditar,
volte para a minha morada.
Assim.
Quando os amantes sussurram,
estão contando a nossa
história
Assim.
Eu sou um céu onde espíritos vivem.
Mergulhe neste azul profundo
onde a brisa espalha segredos
Assim.
Quando alguém perguntar
o que há-de se fazer,
acenda a vela em suas mãos.
Assim.
Como o perfume de José
chegou a Jacó?
Shhhhhhh!
E como retornou
o suspiro de Jacó?
Shhhhhhh!
A brisa suave limpa os olhos.
Assim.
Quando Shams retornar de Tabriz,
seu rosto há-de mostrar-se atrás da porta,
e nos surpreenderá.
Assim.
Jalaluddin Rumi
Tradução: Jaumir Valença da Silveira Junior
Copiado descaradamente do excelente site Poesia Sufi
Em algum lugar remoto
Entre o que quis ser e o que pude,
Me iludo,
Como toda gente se ilude.
Na estrada estreita e longa
Que leva do primeiro berro ao além
Ando eu
Como toda gente também.
Mas ia despontando o dia
Quando, súbito, de lugar nenhum,
Olhei no espelho
E vi que era um…
Sofri, chorei, morri de amor
Toda gente tem dor
Mas a minha…
Lá sei onde guardei! Apenas sou.
E dos grandes gestos que esperam de mim
Nada ficou.
Fracassei, renasci,
Cá estou.
Não Espere de mim mais do que o paraíso
Que ainda busco
Nos desvãos do caminho
Onde a chave da porta do céu se perdeu
No escuro,
Embora no claro eu procure.
E antes que eu me cure
Deste mal metafísico
E volte a ver na vida
Apenas horários de trens,
Olho-me bem no espelho e digo:
“Não esquece, bicho,
Um dia você já fez chover e ventar
Pariu o tempo
E deu o que falar pra mais de mil anos.
Mas, não tem jeito.
A pílula fez efeito.
E volto a ser… quem mesmo?
Ah… eu.





