
Diz a razão: cegueira inexata
Que em ti, emoção inconfessa
Deseja, cata, não cala
Tome intento, pra quê pressa?
Você foi montada às avessas
Febril e informe e inquieta
Quer ver o avesso da vida?
Tome intento, cate meta!
Não precisa, diz a emoção
- Peregrina assumida-
Replica então à razão:
Deixa viver a vida!
A razão, fica ranzinza,
Faz um muxoxo e se cala.
A emoção então se arrebata:
Minha fala! Minha fala!
E entre a emoção e a razão haverão
Mil discussões como esta.
Um dia elas concordarão
Neste dia haverá uma festa.
A razão, vestida de noiva
(E por algum motivo, coturnos)
E a emoção de fraque e buquê
Tal qual esses bailes noturnos
Na hora da valsa a emoção
E a razão, com ela afinada
Dançarão nesse baile sem máscara
Por um céu de beleza animada
Neste dia, o sol vai nascer
Pouco antes da lua sair
A Luxúria segura o buquê
Olha para a inocência e sorri.






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